CRF-RJ - Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro
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Artigos e Entrevistas
23 de setembro de 2004
Reflexões sobre o ensino farmacêutico no Brasil

Selma Rodrigues de Castilho *

O Ensino Farmacêutico vive um momento bastante peculiar. Em todo o país observa-se um crescimento exponencial de cursos de Farmácia. O Rio de Janeiro, que por vários anos contava apenas com duas Escolas (UFF e UFRJ), conta hoje com 13 cursos. Além disto, vivemos o momento de adaptação de todos estes cursos às Diretrizes Curriculares para o Ensino Farmacêutico, o que promove um re-direcionamento de nossos esforços para o fortalecimento da área de medicamentos, sobretudo na atenção primária de saúde.

Somam-se a estas transformações, várias propostas que têm direta influência sobre o ensino profissional: a adoção de exame de proficiência para a área de Farmácia (proposta pelo CFF); exigências para o exercício de atividades profissionais como a responsabilidade técnica por farmácias com manipulação (proposta em discussão no CFF); criação da Escola Nacional de Farmácia e várias outras.

Não bastasse o momento de intensa reformulação na área do ensino de Farmácia, há ainda grandes debates sobre o ensino superior no Brasil. A Reforma Universitária e o projeto de Parcerias-Público-Privadas propostos pelo Governo brasileiro são apenas alguns exemplos. Tais propostas exigem da sociedade brasileira profunda reflexão sobre os rumos do ensino superior no Brasil, sob pena de falência do sistema de ensino superior público, gratuito e de qualidade. Também para as escolas privadas tais projetos trarão conseqüências profundas, abrindo inclusive caminho para a entrada de "empreendedores internacionais da área de educação" no mercado brasileiro. A questão das cotas no processo seletivo das instituições de ensino exige ampla discussão da sociedade brasileira sob pena de constituir-se em mais uma manobra política com baixo impacto na mudança do quadro de injustiças nacionais.

Fechando o quadro surge o Sistema Nacional Avaliação do Ensino Superior - SINAES que traz várias contradições e graves problemas para nossas escolas. Apenas para citar um deles, nossos alunos já serão avaliados este ano com base nas novas diretrizes curriculares. Cabe lembrar que apenas em 2007 teremos farmacêuticos formados por este modelo.

Todas estas questões exigirão a união de todos aqueles que se dedicam ao ensino superior neste país para discussão e proposição de alternativas. Neste momento, de profundas transformações do sistema de ensino superior brasileiro, a Comissão de Ensino do CRF-Rj pretende fomentar tais debates e promover a união de esforços entre os diversos atores envolvidos com o ensino farmacêutico no Estado do Rio de Janeiro, de tal forma que nossa sociedade possa continuar a contar com profissionais bem formados e capacitados a contribuir com a promoção de uma assistência farmacêutica de qualidade e com a utilização mais racional de medicamentos em nosso país.

* Selma Rodrigues de Castilho é farmacêutica, doutora em Engenharia Biomédica, professora adjunta do Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFF, Presidente da Comissão de Ensino do CRF-RJ e Conselheira Efetiva do CRF-RJ.

 

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