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Revista Riopharma Jan/Abr 2006

e o Gross comemora 80

Fundado em 1926, a história do Laboratório Gross começa, na verdade, em 1882, quando Carlos Gross forma-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (hoje UFRJ). Filho do Comendador alemão Carlos Guilherme Gross, o médico tinha, entre seus pacientes, ninguém mais que o Imperador D. Pedro II e o Marechal Deodoro da Fonseca.

Em 1906, seu filho Fernando Gross forma-se farmacêutico, dedicando-se ao ensino e à pesquisa científica na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária e na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, lecionando nas cadeiras de Química Analítica, Bromatologia, Toxicologia, Farmácia Química, Química Mineral e Orgânica.

Sensibilizado pela necessidade de incentivar a produção nacional de medicamentos, Fernando Gross cria, em 1926, um pequeno laboratório de hipodermia, cujo primeiro produto foi o Phosphargyrio, (para tratamento da sífilis), com fórmula elaborada por Renato Souza Lopes.

Fabrizio Toffolo (CRF-RJ no 206), Farmacêutico Responsável Técnico pelo Laboratório Gross de 1970 a 2001. No detalhe, à dir., a primeira sede do Laboratório, em Botafogo (Rio). À esquerda, o fundador do Laboratório, Fernando Gross, no dia de sua formatura em Farmácia.
A produção é feita, inicialmente, nos fundos da quinta da família, na rua Barão de Itambi, em Botafogo, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, mais três produtos são lançados (Gastrobilina, Glycosôro e Phosphobismol), já com sua comercialização em outros estados. Um edifício de dois pavimentos, em uma área de 770 m², é construído para a expansão do laboratório.

Em 1931, o Gross - que já tinha 11 produtos comercializados em quinze estados do Brasil- lança o Atroveran, um dos maiores sucessos de vendas de toda a história da indústria nacional de medicamentos e que foi decisivo na consolidação do laboratório no mercado. Logo depois, o Gross lança a revista “Vida Médica”, que hoje tem 75 anos.

Aos dez anos de vida, o laboratório possui 51 empregados (a maioria mulheres), e 11 propagandistas espalhados pelo País. A “Vida Médica” já alcança, mensalmente, 15.000 médicos.

Em 1939, com o falecimento prematuro de Fernando Gross aos 55 anos, assumem o Laboratório os seus filhos Renato (também médico) e Mercedes Gross (médica e farmacêutica).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a dificuldade de importar medicamentos alavanca a indústria nacional. É uma fase de grande impulso para o laboratório. Com o afastamento de Mercedes Gross, que se casou, Renato conduz a empresa seguindo os passos de seu pai e privilegiando a pesquisa e a qualidade na fabricação.

Na década de 50, os 35 propagandistas da empresa já visitam 6 mil médicos por mês. Em 1961, o Gross adquire o Laboratório Labrápia que, além do Brasil, tinha braços de produção e venda em Cuba e Colômbia. A incorporação representa um aumento de 25% nas vendas.

Em 1962, o terreno de Botafogo foi desapropriado (para a ampliação das instalações da Fundação Getúlio Vargas). A empresa adquire uma área de 15.000 m² no Méier (subúrbio carioca), onde funcionara uma fábrica de tecidos.

Em 1963, problemas de saúde levaram Renato Gross a se afastar da gestão da empresa e seu filho, Carlos Fernando Gross, ainda aos 20 anos, formado em Engenharia pela PUC do Rio, assume a responsabilidade de dirigir o legado de seu avô.

Para Carlos Fernando Gross, ainda hoje à frente da empresa, “o respeito conquistado pelo Laboratório Gross junto aos médicos deveu-se, sobretudo, à linha de condução dos negócios imposta pelo meu avô, um cientista, e pelo meu pai, um médico. Mas faltava à empresa uma cultura comercial. Alguém com visão para negócios, mercado e oportunidades”.

Em 1977 e 1978, o Gross incorpora mais dois laboratórios: o Labonobel e a Panquímica, o que o transforma em um dos três grandes laboratórios nacionais com sede no Rio.

Segundo Carlos Fernando Gross, o endividamento devido às duas aquisições seguido do congelamento de preços de medicamentos levam o laboratório a seu momento mais difícil:

- Durante as décadas de 80 e 90 o desafio foi sobreviver. Muitos laboratórios nacionais contemporâneos do Gross ficaram pelo caminho e fecharam suas portas. A hiperinflação e o CIP inviabilizaram boa parte dos fabricantes de medicamentos.

A partir de 1992, com a paulatina desregulamentação do setor promovida pelo Governo, o Gross começa seu processo de recuperação, “chegando em 1995 com índices de endividamento irrelevantes e com um faturamento, em dólares, três vezes superior ao da década anterior”, afirma Carlos Fernando Gross, para quem nestes 80 anos em que o Laboratório foi dirigido por seu avô, por seu pai e por ele, o grande desafio que vem sendo permanentemente enfrentado e superado é o de “acompanhar as profundas mudanças no campo da ciência e da tecnologia, mantendo o compromisso com a qualidade na produção de insumos essenciais para qualidade de vida e de saúde da sociedade brasileira”.

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